sábado, 29 de dezembro de 2007

Sou uma coitadinha!

Ando alarmada com a minha condição! Acho que sofro do Síndrome do Coitadinho/a, uma doença tipicamente portuguesa e resultado de vivermos num Estado Providência. A verdade, é que este ano a vida não me anda a correr de feição: o curso ficou por terminar por uma cadeira, a cadela todas as semanas tem uma doença diferente, o gajo, como eu estou fora, liga-me quando o rei faz anos, ou seja, raras vezes… deve estar a tirar umas férias de me aturar, eu respeito. Com a viagem à Austrália vivo uma situação de banca rota que já me levou a uma tentativa de relacionamento com a Cofidis – Conta Eterna a uma taxa de juro de fazer desmaiar os que sabem o que implica uma TAEG de quase trinta por cento! O que me resta é a saudinha própria de quem tem 24 anos… bem mas, às vezes, tenho umas dores nas cruzes pouco dignas de uma moçoila da minha faixa etária!
Tudo isto me leva a crer que padeço do Síndrome da Coitadinha… e é triste… eu fujo de tudo o que me caracteriza como “tuga”, prefiro ser apátrida!
Mas eu não sei se me estou a fazer entender. Este Síndrome pode ser observado in loco nos programas da manhã da TV portuguesa. No caso daquele show do Manuel Luís Goucha, as histórias dos coitadinhos são acompanhadas de uma banda sonora que nos faz levar a sério o que lá se conta. Sou eu de um lado, com a lágrima no canto do olho e a minha mãe do outro a rabujar: “Olha! Estes é que são espertos! Aparecem na TV com estas histórias e dão-lhes tudo o que eles precisam! Coitados, coitados são os da classe média! A pobreza está na classe média, não é destes que eu tenho pena! Qualquer dia também vou para a TV!”. Quando ouço esta frase, entro em estado de alarme! Seco a lágrima e entro num estado de raiva e histeria! Imaginar a minha mãe na TV a pedinchar o que quer que seja! Prefiro morrer!
Agora interessa informar-vos melhor sobre os sintomas desta Síndrome fatal a qualquer auto-estima e dignidade que se preze! Ora, primeiro, todos os coitadinhos sofrem de uma qualquer doença nervosa, podem ser desmaios, ataques de ansiedade, fobia social ou outra coisa qualquer. E estes problemas nervosos impedem-nos sempre de ter um emprego de pessoa normal, por isso, os coitadinhos têm de pedinchar. Todos eles vivem com uma familiar acamado, vítima de uma doença geriátrica gravíssima, o que os leva sempre a pensar que têm direito a mais um subsídio qualquer. Também têm, em maior parte dos casos, um familiar no mundo da droga que lhes “cata” o pouco que amealháram. Normalmente, o marido não tem um dos membros por isso também não pode trabalhar. São uns desgraçadinhos! Na vida deles não há ponta por onde se lhe pegue! Chove-lhes em casa, o filho precisa de um tratamento ou de uma cadeira de rodas e não pastel para o levar para Cuba ou para a cadeira.
Vivem da boa vontade dos que os rodeiam mas acham sempre que lhes lançaram o mau-olhado ou que são vitimas de olho gordo.
Há também outro facto típico que os distingue: são gordos como marmotas, o que me leva a crer que embora a desgraça, fome não se passa! Mas estas lontras normalmente têm uma desculpa para isto: mais uma doença do foro nervoso. E já que assim é, pedem também uma intervenção para colocarem uma banda gástrica. O Goucha e a Tininha agradecem porque daqui a uns meses já têm programa garantido: mostrar a lontra mais magra um kilos, desta vez, transformada em Shar-Pei. Nesta situação, a coitadinha precisa de uma cirurgia plástica para o marido lhe pegar nem que seja só com um braço!
Acho que já perceberam do que estou a falar…
Agora, a minha indecisão está entre ir, ao programa do Goucha, ou da Fatinha. Qual deles me oferecerá a cadeira de Direito Penal, pagará os 100 euros semanais de veterinária e me patrocinará mais uma ronda de fisioterapia no Espergueira Mendes?

sábado, 22 de dezembro de 2007

Porto

Tenho sentido alguma falta de assuntos para falar aqui no blog mas, no outro dia, ia de carro na avenida Brasil, a fazer a viagem de sempre e lembrei-me que podia escrever sobre o Porto. Afinal, vivo aqui há 7 anos, o que faz da cidade a segunda paragem por onde me mantive por mais tempo. E posso dizer que aqui encontrei a paz que precisava na minha vida depois de uma adolescência percorrida a velocidade perigosa…
Aqui criei as minhas amizades, encontrei as minhas raízes, apesar de achar que já era hora de partir sinto-me incrivelmente bem por aqui…
No inicio, não foi fácil encontrar um espaço para mim, não tinha amigos, não tinha casa própria, ou pelo menos, um sitio onde me sentisse em casa. Na verdade não tinha nada que me prendesse por aqui muito tempo. Mas, o Porto foi generoso comigo e lentamente, ofereceu-me tudo o que eu precisava.
Hoje, não passo, sem percorrer a VCI a mais de 90 km/h para depois mandar a travadela que me livra da multa certa. Ainda me emociono ao fazer a marginal de Matosinhos até à baixa, de noite, ao som de uma banda sonora qualquer. Deixo-me envolver por tudo o que esta cidade me dá de bom e em forma de agradecimento faço esta trajectória o mais lentamente possível.
Gosto da escuridão das ruas, do aconchego dos prédios encavalitados uns nos outros criando um ambiente de decadência que me exorciza de todos sentimentos menos pacíficos. Alguns locais, como a estação de S. Bento e as palmeiras no Passeio Alegre, atiram-me vertiginosamente para uma nostalgia demorada e inquieta.
Muita coisa mudou desde que cheguei aqui… eu mudei muito, a cidade mudou muito mas, continuou sempre o abrigo da minha mudança. Pergunto-me como é possível uma cidade tão escura, tão fria, tão húmida, poder servir de casulo para um crescimento pessoal de que me orgulho.
E depois as pessoas… o que encontrei por aqui, foi melhor do que algum dia poderia imaginar! Aprendi que o famoso: “OH badalhôôcahh!”, afinal não era alguém a chamar por uma pessoa menos asseada, mas sim uma forma carinhosa de chamar as colegas de trabalho. Aqui, as palavras não valem o que, à partida, significam!
Os meus hot spots nocturnos na cidade foram variando mas continuam inesquecíveis, os serões no Cafeína, os cafés no Oriental, as noites no Café do Mar e as festas “Wild Wild Woman” no Estado Novo.
Ainda não me vendi ao FCP mas, já estive lá perto! Festejo todas as vitórias do Porto, com a excepção das que prejudiquem o meu Benfica. Tenho muita pena mas, sou uma festivaleira e não posso perder a oportunidade de participar uma festa, nem que seja a festa do povão da cidade! O que me interessa é que seja festa! Até poder ser a festa do inimigo! Onde há festa, eu estou lá!

Não me alongo mais porque já conto com os comentários dos benfiquista… vou ser linchada!!!
Deixo-vos a imagem que vejo todos os dias e me faz que pensar: “Aqui sou feliz!”

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Presente :-D

Estive a pensar num presente para vos dar neste Natal. Ai! O que eu pensei! E não conseguia arranjar nada que estivesse à vossa altura!
Finalmente encontrei!
Deixo-vos esta animação, espero que gostem...
P.S- Demora um bocadinho a carregar mas vale a pena! Ouçam com música que tem mais piada!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Deixar de fumar...

Ainda não tive tempo de escrever a carta da praxe ao Pai Natal e tenho tanta coisinha para pedir! Ele que não espere que eu seja meiga a pedir! Depois de todos os traumas que este velhaco me causou, não vou ter pena dele!! Nunca mais lhe desculpo... aquele estupor trazia-me todos os anos livros das aventuras, dos cincos e dos sete e dos mais não sei quantos... quando eu me cansei de dizer que não curtia aquela merda!! Até podia ser as aventuras dos duzentos, o que eu queria era livros sobre animais e o estúpido trocava-se todo!!! Ai seu velho macaco quando eu te apanhar!!



Vou escrever a carta mais tarde porque ainda estou a limar umas arestas sobre o que quero, por agora vou só pedir uma coisa que trocava por todas as outras... DEIXAR DE FUMAR outra vez!!



Consegui deixar de fumar uma vez, durante dois anos, através de um método criado para mim própria que funcionou. As regras eram:



1-Muita força de vontade;



2-Uma semana no hospital a ver vítimas do fumo (amputações, cancros e etc...);



3-Duas horas de ginásio por dia;



4-Três pacotes de Trident de frutos silvestres por dia (já nem sentia os maxilares);



5-Não deixar de fazer as minhas coisas com medo de voltar a fumar. Nunca deixei de tomar café, beber, sair à noite e estar com amigos fumadores;



6-Sentir que era mais forte que o vício;



7-Fazer uma alimentação saudável;



8-Lutar contra o vício todos os minutos, hora a hora, dia a dia;



9-Estar sempre ocupada;



10-Pensar todo o tempo que era a melhor coisa que estava a fazer na minha vida e que se conseguisse era a maior vitória pessoal sobre mim própria que iria alcançar;



11- Pensar na minha saúde e na minha carteira;



12- Pensar que se não conseguisse, não tinha personalidade... "sou uma mulher ou um rato?";



13-Deixei de pensar que fumar pertencia à minha personalidade e fazia parte de mim;



14-Tornei-me uma fundamentalista anti-tabaco;



E consegui... durante dois anos, sem pensos, nem pastilhas de nicotina...



Infelizmente, nas férias facilitei e voltei...



Sei que vou ter de começar tudo de novo e a sensação que tenho é que estas regras já foram ultrapassadas, preciso de umas novas. Talvez mais uma semana no hospital me ajude a clarificar as ideias...



Tudo isto para dizer, que trocava tudo este ano por deixar de fumar outra vez... :-(



segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

My iPod




Sou viciada na maçã!


Encontrei este iPod para por aqui no blog mas, ele toca automaticamente, o que é chato! Eu sei que é, porque detesto entrar num blog que tem música e ela interferir com o que estou a ouvir. Por isto sintam-se à vontadex para exigirem que retire a música!


Ai como eu gosto de vocês! Até vos deixo mandar calar o iPod!!


O que lá toca é:


1-Nouvelle Vague - Too drunk to fuck

2-Love and Devotion - Mishka

3-Richest Man in Babylon - Thievery Corporation

4-Unique is my Dove - Matisyahu

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Perseguição do corno

Por baixo da minha casa abriu uma MEGASTORE de cornos! Assim uma coisa ao estilo Media Market!
“Cornos!?”, perguntam vocês! Eu respondo: “Nem mais!”…
Agora digam lá que não é estranho existir uma loja que vende cornos, logo por baixo do meu humilde AP.
Eu moro num sítio tão simpático, perto do mar, com uma fábrica de enlatados em frente, palco de cenas hilariantes entre as funcionárias. Tenho um café aqui ao lado em que uma loira oxigenada que me trata por tu e até já manda servir-me a mim. As minhas vizinhas do lado são lésbicas, o meu vizinho de baixo é polícia e deve 6 mil contos a não sei quem (ouvi uma discussão com a vítima do calote). Tenho uma das discotecas da moda à porta, ou seja, ouço o que se passa lá dentro durante toda a noite e, sou de abraço com os porteiros! Proibiram a minha cadela de andar no elevador, e a mim também, se insistir em fumar na viagem do 3º andar até à garagem. A empregada da limpeza deixa-me bilhetes na porta e não me cumprimenta quando passo por ela. Tenho não uma, mas duas lojas de vinhos na mesma rua e um restaurante de sushi…
Aqui tudo é perfeito! Agora a loja dos cornos só pode ser mau agoiro! É que só pode!
Nunca vi em lado nenhum do mundo uma loja que venda cornos e ela tem de abrir logo por baixo dos únicos 100 m2 no mundo que são meus! Reparem na minha situação… todos os dias quando saio, toda bem-disposta para aturar a canalha, vejo uma montra gigante repleta de cornos por todo o lado… aquilo é um mar de cornos! Uma imensidão de cornos de todos os feitios… tenho a certeza que algum deles me haveria de servir! Ora, fico incomodada! Claro que fico! Não consigo deixar de me perguntar: “Será que já tenho algum artigo deste estabelecimento?”. É que se tiver, quero trocá-los por uns que sirvam a outra pessoa.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Conversas

Nas poucas horas mortas do estaminé onde trabalho, acontecem estas conversas...

Pai Natal: Eu não gosto de dormir com a minha mulher. O que eu gosto mesmo é ela num quarto e eu no outro...
Duende (em pensamento): queres ver que o gajo com 75 anos curte é pegar de empurrão...
Duende: óh Pai Natal, coitada da sua mulher... se o ouve a falar assim...
Pai Natal: ... ainda se fosse assim com uma rapariga nova... agora com a minha mulher prefiro dormir sozinho!
Duende (em pensamento): "assim com uma rapariga nova"? ... que rapariga nova?? tás tolo oh velhote!!!
Narrador: O Duende acha melhor sair de cena...
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Pai Natal: Anda cá minha menina que eu quero saber quais são as prendinhas que tu queres!
Pai Natal (em segredo à Duende): Diga à mãe para vir também aqui sentar-se... tens umas pernas bem boas!!
Duende (em pensamento): tou lixada com este velhote, vêm para aqui engatar as mães das crianças... e trabalhar não?
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Pai Natal: Sabe Duende... eu não quero que os meus vizinhos saibam que eu estou aqui a trabalhar... é que eles pensam que eu sou rico, se sabem que estou aqui, dizem logo: "É rico, é rico, mas têm de se vestir de Pai Natal para ganhar dinheiro!"

Duende (em pensamento): E viva a mentalidade tuga!!! Trabalhar é vergonha! Tou lixada com este gajo!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Frederico Aubele - GHBA

Há muito tempo que não escrevo sobre música, até acho que só o fiz duas vezes para falar no Buena Vista Social Club e no Café del Mar - Aria. Desta vez, vou continuar a falar de sons latinos mas numa vertente diferente.
Fica para trás o sabor do bolero e cha cha cha e o magnífico CD do Café del Mar para vos falar de algo mais etéreo e relaxante que nos pode transportar para dois estados de espírito conforme a forma de audição.
Falo de Frederico Aubele e do CD “Gran Hotel Buenos Aires”. Ouço-o como uma droga, para projectar a minha viagem Santiago do Chile/ Buenos Aires, alimentada pela saudade do cheiro da América Latina. Não há lugar no mundo que me faça sentir-me, de uma forma tão intensa, eu própria…
O que este CD tem de mais singular, é a possibilidade de uma audição variada. Ou atenta, concentrando-nos nas letras e no seu significado, ou relaxada e desprendida, onde nos deixamos levar numa viagem sensorial que nos transporte para dentro ou fora de nós mesmos, conforme nos deixarmos embalar… No envolvimento pela mistura de dub, tango argentino, trip hop, flamenco, reggae, as sensações são irreais. As vozes, em maior parte das faixas, femininas, são sensuais, suaves, dolentes tornando este disco a banda sonora perfeita para um fim de tarde solitário…

P.S.- Se não forem muito sensíveis, ouçam o CD em baixa e alta velocidade e vejam a diferença da viagem :-P (nada de fumar cenas que fazem rir!)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Vida Profissional

A minha vida profissional é fabulosa, nunca faço a mesma coisa mais de um mês! Desta vez, sou assistente de Pai Natal! Mas não.. não estou vestida de duende verde! A farda até é bastante taciturna! Ainda bem que é para assustar aqueles monstrinhos! Só trabalho 3 horas mas eles matam-me... valem por doze horas de pé num congresso!
Mas todos os trabalhos valem a pena, para além do dinheiro, é sempre mais uma experiência e as outras raparigas normalmente são umas bem-dispostas. Bem, também se apanha as enjoadas e as com pouco amor ao trabalho, curiosamente, normalmente são as mais giras!

Este é o meu segundo trabalho com estes diabretes e mais uma vez, deparo-me com a dura realidade de que não tem jeito nenhum para lidar com eles, o que vale é a educadora de infância e a educadora social que trabalham comigo... eu, ali, sou um mero ornamento mas tento compensar isso com outras coisas que é preciso fazer. Afinal não interessa muito aos putos saber quais são as possíveis razões de"justa causa" para um despedimento e também não tenho muito perfil para fazer aquelas gracinhas tipo: "Olá fofinho! Ai que lindo! Queres ir ver o Pai Natal? Anda, "more", ele é teu amigo!". Vocês não me conhecessem, mas eu tenho voz de bagaço provocada pelo maço de cigarros diário. Conclusão: não há puto que me pegue!

Mas o trabalho vale a pena porque permite um estudo "in loco" dos papás portugueses. E eles estão tão "preocupados" em não traumatizar as crianças... é vê-los a colocar as criancinhas a berrar e a tremer de medo ao colo do Pai Natal, mas quando lhes é para dar um tabefe na hora certa, tem medo de os traumatizar!? Ora bolas! Porque que é que a criança têm de ir para o colo do Pai Natal quando obviamente, está apavorada com aquela figura? Para os papás porem uma foto chapa 5 em cima da lareira com os pequenotes vermelhos de tanto berrar?

Mas há mais! No mesmo sítio, temos uma pista de trenós. A minha função é por os putos em cima dos trenós e atirá-los. Ai, como eu gosto deste trabalho! Estou a ficar parecida com um culturista! Mas é tão lindo vê-los a berrar, desta vez, de excitação... mas, aqui os paizinhos, não os querem deixar andar porque têm medo que eles se magoem. Santa paciência!
Pareço uma culturista porque tenho de empurrar crianças com dez anos mais pesadas que eu! Oh pá! O que é estes "piquenos" comem? Também não lhes posso dizer: "Olha, ó gigantone, és muito gorda/gordo para eu te empurrar! És maior que eu! E uma dieta, não?". Desconfio que eles comem farinha de engorda, caramba! Se eles me lessem os pensamentos, era despedida na hora!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Anónimo

Tenho um comentador anónimo no meu blog que age como um terrorista, ou seja, à má fila! Primeiro deixou comentários pouco agradáveis num post já antigo, respondi-lhe respeitadoramente, até que partiu para o ataque. Mas com tudo isto posso eu muito bem, só me falta é um bocado de tempo :-(...

Até aqui tudo fantástico, podem entreter-se a insultar a minha inteligência, estilo literário, gostos, viagens, tudo o que quiserem, só não podem é insultar os meus leitores/comentadores! Isso não!! Principalmente quando ele é a pessoa mais importante na minha vida, mais do que um namorado de 9 anos, um AMIGO! Não admito isto na minha vida pessoal e muito menos aqui na blogosfera!

Tenho um blog para me divertir, gosto muito que o leiam mas quem não quiser ou gostar não é obrigado a passar por aqui!

Isto tudo para vos dizer que, infelizmente, não me resta outra solução senão activar a moderação de comentários. Todos os comentários continuarão a ser publicados incluindo os que me insultarem seja de que forma for. Os únicos que serão vedados serão os que insultarem ou forem desagradáveis para os meus leitores e/ou comentadores.

Peço-vos desculpa, mas pelo menos para já vai ter de ser assim. Quando este senhor encontrar outro blog para se divertir, volta tudo à normalidade!

Obrigada por todas as vossas visitas e comentários.

P.S.- Alguém tem outra solução para quem não têm nada que fazer?

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Casco de Cavalo

A campanha da Popota foi cancelada! A sério, que fiquei mesmo na merda! (primeira asneira do blog). Estava a gostar daquele ambiente da Tv, as pessoas são simpáticas, o trabalho é muito fácil e nada cansativo. Num país de valores invertidos, não é preciso ser-se uma pessoa importante para aparecer na Tv, desde que lá se apareça já se é um VIP! Não vou estar aqui a discutir o conceito de “pessoas importante”, até porque confio no bom senso de quem me lê para distinguir a Clara Ferreira Alves do Marco, participante no Big Brother.
Hoje estou aqui para vos falar do mundo feminino.
Sou adepta de umas mãos bem arranjadinha, obrigo-me a ter as extremidades do meu corpo sempre impecáveis (mãos e pés), não há cá unhas roídas, pele seca, verniz com 15 dias e afins… Para isso, preciso de ter umas unhas fortes! Vou ser sincera, perco bastante tempo a aplicar cremes, mezinhas e vernizes endurecedores. Na busca eterna por um cuidado cada vez maior, prometeram-me o impossível: unhas Casco de Cavalo! Eu sei que não precisava de tanto, mas pergunto a qualquer leitora feminina, se vos prometessem umas unhas fortes como cascos dos cavalos vocês não cediam? Tenho a certeza que se esqueciam do nome assustador do produto e compravam!
Eu comprei!
E vocês, meninos, se vissem a vossa amiga/namorada a aplicar um verniz com o nome “Casco de Cavalo”, entravam em pânico e tentavam fugir antes de levar um coice?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Atingi o topo da minha carreira

YouTube - Popota


Bem vindos ao blog da Popota!


Depois de 6 anos como promotora, hospedeira, modelling, distribuidora de folhetos (no inicio de carreira claro!), relações públicas e etc, a minha carreira de “faz-tudo” ou de “habilidosa”, como carinhosamente lhe chamo, está a chegar ao fim. Corri milhares de congressos de médicos, tive o privilégio de ser RP na inauguração da Casa da Música (com um ordenado que na altura já achava milionário), distribui quilos de comida (estes eram o que mais gostava!), lancei dezenas de perfumes e impingi milhares, promovi sorteios, fui menina da Nespresso, tive oportunidade de participar em eventos que nem precisavam de me pagar para eu lá estar, conheci muita gente, tive a oportunidade de perceber cada método de trabalho. Aprendi a lidar com o povão! Agora que me vou retirar, para fazer alguma coisa mais concreta, atingi o topo da carreira!!
Por uns magníficos 40 euros por minuto, num lance de transformismo, visto-me de Popota do Modelo para estar ao lado da Sónia Araújo no seu programa da manhã.


Não há melhor maneira para se terminar uma carreira, pois não?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O destruidor de sonhos

Pois é! Tem este ar todo queridinho mas é um destruidor de sonhos! Tudo começou com a pergunta:
"Queres ir ver o jogo da Selecção contra a Finlândia?"
E eu: "Claro!" Há muito tempo que tinha aprendido a máxima: "Se não podes vencê-los, junta-te a eles". Eu nunca gostei de futebol, mas depois de tantas discussões, dei a mão à plamatória. Assim, decidi fazer um esforço e ver aquela porcaria pelo menos uma vez na vida. Até podia gostar! A verdade, é que gostei e muito! Por isso, esta proposta de ver a Selecção era ouro sobre azul!
Para assistir ao jogo enfrentei as dores de cabeça da minha constipação, o metro carregado de gado com um cheiro a gente de fazer desmaiar os mais sensíveis. Mas não me queixei, aguentei firme, afinal "ia à bola". Até que o Mabides remata com esta frase: "Cheiras bem!". Ora, é natural! No meio daquele cheiro nojento, umas gotas de perfume fazem toda a diferença!
Chegámos ao estádio, mostrámos os nossos bilhetes, que a mim até me pareceram mais evoluídos do que os dos outros adeptos, afinal eram uns cartões de plástico (tipo multibanco) e os outros eram de papel. Mas, caros leitores, aqueles bilhetes não eram de todo para ver a selecção, eram para ver os jogos do Porto. Que ultraje! Eu como benfiquista, nunca na minha vida ocuparia um lugar no Dragão se não fosse para apoiar os vermelhos!!!
A desilusão foi total! Este senhor aqui da foto, esteve para deixar as imediações do estádio sob escolta policial quando teve a coragem de sugerir que fossemos ver o jogo do Porto no próximo fim de semana que jogasse em casa! Há tipos com coragem!
Daqui, tiro a minha lição: os homens não são de confiança nem para ir ao futebol!!!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A minha cadela


Há muito tempo que pensava escrever um post sobre a minha cadela mas sempre pensei que seria ridículo e não interessaria nem ao menino Jesus. No entanto, no sábado apanhei um valente susto quando acordei, e a minha casa parecia o cenário de um filme de terror. Tinha sangue até nas paredes… Belo acordar para quem tinha chegado de gatas a casa na noite anterior. Não vou contar toda a história porque não é relevante, o que interessa é que com isto, resolvi escrever um ensaio sobre ela e a sua história.
Como em qualquer história tinha de começar pelo inicio mas a verdade é que não conheço o inicio! No final do verão de 2002, fiz uma visita à Sociedade Protectora dos Animais e levei um abalo de realidade ao confrontar-me com cerca de mil cães enfiados em canis sem grandes condições, alimentados a arroz com frango e dependentes da boa vontade de meia dúzia de senhoras. Por entre todas aquelas “jaulas” via-se os seus ocupantes num estado miserável, agrupados em nichos de decadência à razão de cinco por compartimento.





A minha escolhida estava deitada de patas cruzadas, vivendo em comunidade com um Shar Pei visivelmente incomodado com aquela situação e mais três cães hiperactivos. Diferenciou-se deles pelo ser ar descrente de quem já não acreditava sair dali de maneira alguma.

Estava decidido! Era aquela! Se calhar quis-lhe mostrar que ela estava enganada…

Abri a mala do carro, ela entrou sem hesitar, levei-a ao veterinário. Tinha partido uma pata que tinha cicatrizado mal tornando-a manca para toda a vida. Sim! Levei para casa uma 100\120! No inicio tive medo dela, não tinha qualquer reacção a nada, deambulava pela casa num apatia total, não mostrando qualquer sinal de afecto por ninguém. Podem não acreditar mas só passado um ano começou a demonstrar alegria por me ver, aprendeu a brincar e descobriu que roer ossos até podia ser fixe. Senti que com o tempo foi saindo daquela mundo que era só dela.

Hoje, passados 5 anos de convivência, finalmente comporta-se como um cão! Quando me vê, como qualquer canino quando vê o seu dono, vê Deus!

Apesar de não saber nada sobre a vida dela, com o tempo fui aprendendo muitas coisas a seu respeito, entre elas:

* Bebe água da sanita quando pensa que eu não estou a ver;
* Adora comer gelo (disto só me apercebi quando estava a tirar gelo para a minha Coca-Cola e ela apanhou um cubo que me tinha caído)
* Ela mostrou-me que a minha cama não é minha, mas sim dela. Ela é que me faz o favor de me dar um cantinho para eu dormir;
* Também é ela que me mostra quando já estou há muito tempo no PC. Chega aqui e começa a tirar-me a mão do teclado com focinhadas;
* O cheiro a presunto consegue despertá-la dos seus sonhos mais profundos;
* Quando tento levá-la à rua às sete da manhã, ela manda-me ir a mim sozinha porque ainda está com sono;
* É ela que espera as pessoas à porta de casa;
* Se trago outros cães cá a casa, sou fulminada com um olhar reprovador que interpreto como um: “Houve lá quando é que estes selvagens saem aqui de casa? Tás-te a passar? Não quero estes arruaceiros aqui!”
* Deitar-se no chão está fora de questão, tem que ser um sítio fofo mas, se for para ficar a ver-me comer, um tapete já lhe consegue encher as medidas;
* Quando passa meia hora a lamber a tigela da comida, interpreto-o como um. “Houve lá, não chove mais nada? Foste-me buscar ao canil para vir para aqui passar fome?”

Fico-me por aqui porque não quero cansar os meus queridos leitores. Estas histórias só têm piada para donos babados.

A mensagem que quero aqui deixar, passa por vos dizer que adoptar um cão foi das experiências mais compensadoras que alguma vez tive. Mesmo desconhecendo a sua história e imaginando que já deve ter passado por muito, fico realizada por saber que comigo foi um cão feliz. No entanto, fica sensação que ela me deu muito mais a mim do que eu a ela…

domingo, 18 de novembro de 2007

Ainda falta...

Para quando um copo com este tipo!? Nunca mais chega dia 5 de Janeiro!! Já estou farta de estar aqui!
Aproveito para dizer a quem gosta de acompanhar o meu blog que toda a minha viagem à Austrália vai ser relatada aqui no blog... espero que acompanhem!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Snowtrip


Cheguei a Genève com a intenção de conhecer a cidade, jantar num restaurantes engraçados, babar nas montras das lojas e apanhar um bocado de frio a sério. O destino nunca me atraiu muito mas a Easyjet ofereceu-me um preço que convencia qualquer um. Lá fomos nós para Genève num avião cheio de parolos que fazem do embarque a batalha de Aljubarrota com direito a padeira e tudo! Como não sou muito territorial, deixei o “tuguinha” entrar entre encontrões e cotoveladas.
Mas para esperto, esperto e meio, mal nos sentámos ocupamos três lugares! Sim porque eu gosto de ir com a pernoca estendida ao comprido para não ganhar varizes… iPod, revistinha, o acompanhante ainda nem tinha apertado o cinco e já roncava, o meu hotspot estava estabelecido! Claro quando aterrámos o aplauso da praxe aconteceu!
Não ia preparada para grandes escolhas mas quando chegámos fizeram-nos a derradeira pergunta:
“Querem conhecer a Suíça ou aprender a fazer ski?”
Aquilo não era uma pergunta inocente, a resposta implicava andar dez dias aos trambolhões ou andar a passear comodamente de cidade em cidade a espalhar as vistas e a cultivar-me.
Desta vez mandei os museus, as lojas, as fotos, os passeios para o ar e fui aprender a gostar de mandar valentes tombos de rabinho na neve. E foi mesmo assim…
Alugámos o equipamento, seguimos para Avoriaz ao som Kanye West, ficou para sempre na memória aquelas paisagens fabulosas ao som de “Diamonds from Sierra Leone”.
Depois de muitas descidas de rabinho, o “sku” parecia ser um talento intrínseco! Com isso aprendi a rir-me de mim própria com um à vontade desconcertante…
Depois de muitas descidas vertiginosas feitas de rabo e quedas monumentais aprendi o significado do que me diziam: “TRAVA EM CUNHA!!!” E quanto mais quedas e dores (aquelas botas são um tormento nos primeiros dias!!) mais queria aprender!! Estava viciada e quando lhe apanhei o jeito ainda foi pior!
Da Suíça só conheci o famoso lago Léman e o Museu Patek Phillippe mas ficou o vício da neve, do vinho quente e do vento a trespassar-me a cara…

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Nem relativizando...

Ao longo destes anos a viver comigo própria aprendi uma técnica para contornar os meus "achaques" de ansiedade, é quase uma terapia do desespero para utilizar em situações limite. Hoje foi um dia para a terapia ser utilizada. Ansiosa com o exame de Economia Portuguesa, sentia que se não corresse bem a minha vida estava acabada (uma situação limite imaginária portanto). Mas o que interessa é que desta vez nada parecia funcionar, não me cansei de me dizer:
"Tens uma vida fabulosa... cheia de amigos inteligentes... viajas como gostas... atinges todas as tuas metas... tens uma vida amorosa fantástica... não passas fome... fazes o que queres a que horas queres... tens o amor incondicional do teu cão... não te falta nada minha burra! O que importa um exame no meio disto tudo?? vais morrer por causa disso? já pensaste na desgraça que assistes todos os dias? já pensaste quantos dariam o cúzinho e um tostão para levar a vida que levas? Relativiza estúpida!!"
De repente, na estrada, um homem deitado atropelado... "Preferias isto, ó mal agradecida?"
Aquilo não estava mesmo a resultar, naquele momento preferi ser atropelada... Já não conseguia olhar-me por cima de mim própria. Estava a ser impossível afastar-me da minha situação por forma a analisá-la e perceber que comparada com tantas outras é meramente insignificante. Só pedia alguma coisa que me teletransportasse para longe do centro da minha ansiedade, nem que fosse trágica! Estava tão desesperada que nem sabia o caminho da faculdade, não parava de pensar que me faltava alguma coisa, um código, um decreto-lei, uma máquina de calcular...
Felizmente o resultado foi a vitória com treze valores... mas tenho de pensar numa nova técnica, esta está obviamente viciada!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Hora dos Porquês



A verdade é que não consigo estar afastada daqui muito tempo e durante o estudo entre a diferença entre a sucessão legítima e legitimária outras questões foram suscitadas. Após 24 anos de nacionalidade "tuga", estou cheia de dúvidas existênciais. Estes anos de convivência nacional levantaram, perguntas sem resposta, que me parecem, no mínimo pertinentes. Assim se alguém me quiser ajudar, aqui ficam algumas das minhas mais íntimas questões:

*Porque é que ninguém dá um Strepsil ao Olavo Bilac?
*Porque é que todos os portugueses vão passar o Natal "à terra"?
*Porque é que o Santana Lopes e o seu compincha Durão Barroso pensam que os portugueses sofrem de amnésia?
*Porque é que a visita a um hospital português me dá sempre a sensação que estou num matadouro e que ainda vou sair de lá pior? (viva os seguros de sáude)
*Porque é que os condutores portugueses andam sempre na faixa da esquerda mesmo quando não estão a ultrapassar? (eu optei por ultrapassar pela direita, não me chamem de assassina ok!)
*Porque é que no Domingo à tarde todo o Tuga foge, em bando, para a beira-mar para um passeio de carro a 20 Km\h? (eu trabalho ao Domingo!)
*Porque é que um voo Portugal-Suiça é tão assustador? Também aquele cheiro a chouriço, queijo e bacalhau me intriga...
*Porque é que sempre que há um buraco numa rua são chamados dez homens para estarem na amena cavaqueira a olhar para o cromo que está a trabalhar?
*Porque é que o Tuga leva os filhos para o Ikea se os putos nem sequer sabem segurar na fita métrica e a única coisa que os anima é roer os móveis que estão em exposição? Deixem os castorezinhos na "Floresta Encantada"! Ainda relativamente ao drama familiar tuga ;
Porque é que as mães Tugas gostam de mudar a fralda aos "meninos" em cima das mesas da praça da alimentação do Shopping enquanto os familiares se regogizam de terem um grande cagão na família?
*Porque é que o Manuel Luís Goucha se veste com tecido de cortinados?
*Porque é que o Tuga gosta de dormir no carro numa tarde solarenga?
*Porque é que temos atletas campeões do mundo mas o Cristiano Ronaldo é que é o maior?
*Porque é que o Tuga adora um bom drama? Porque é que se for um acidente rodoviário com 40 viaturas todas engatadas umas nas outras, o Tuga para sem pensar que atrás pode vir alguém nada interessado na desgraça alheia?
*Porque é que todo o Tuga têm um telemóvel topo de gama ou mesmo dois mas vive num barraco social?
*Porque é que o Tuga continua a fazer Tunning num Opel Corsa?
*Porque é que o objectivo de todo o Tuga é viver do subsídio de desemprego ou invalidez? Será que todo o Tuga acalenta o sonho de ser inválido?
*Nos milhares de acções de promoção que fiz continuo a perguntar-me até hoje porque é que o Tuga fica louco quando vê alguém a dar alguma coisa? O Tuga vêm pedir mas não pede só para ele. Ele pede para o avô, a avó, a madrinha, o pai, a mão, "o cãozinho" e "já agora para mim que ainda não levei".

Bem, estas são só algumas das minhas dúvidas, talvez um dia volte à temática. Se alguém me conseguir esclarecer, agradecia imenso! Mas, mais do que estas simples perguntas, uma maior se "alevanta": SERÁ EM TODO O LADO ASSIM?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Afastamento forçado!

Peço desculpa a quem gosta de ler o que escrevo (são poucos mas muito muito muito bons!!!!) mas a minha vida está uma agitação. A dois meses de partir para a minha big trip e com três cadeiras para terminar o curso não sobra muito tempo para escrever!

(é esta imagem das Whitsundays que me inspira para continuar a estudar a secante matéria de Dto Penal, Dto das Sucessões e Economia Portuguesa)

Espero que me continuem a acompanhar. Beijinhos e obrigada por todos os comentários!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

PALHAÇO!!!!

O cachorro que morreu de fome em nome da "arte".

O que há de vanguardista em amarrar um cachorro doente na parede de uma galeria e deixá-lo morrer de fome em nome da, humm, "arte"?

Guillermo Vargas Habacuc, um costarriquenho que "afirma ser um artista" criou uma instalação intitulada "Exposición N° 1", em uma mostra realizada na Galeria Códice, localizada em Manágua, capital da Nicarágua. Ao som do hino sandinista tocado ao contrário, os visitantes deparavam-se, na entrada da exposição, com uma frase na parede ("eres lo que lees") cujas letras eram formadas por comida de cachorro.

Logo adiante, os visitantes eram surpreendidos pela secção mais polémica da instalação de Habacuc: um cachorro enfermo, que teria sido capturado nas ruas de Manágua, preso em um canto da galeria. Segundo o "artista", a sua obra representava uma homenagem a Natividad Canda, um nicaraguense morto recentemente devido a um ataque feito por dois cães da raça rottweiler. Justificou, desta maneira, a captura de um cachorro indefeso e doente, que também recebeu o nome de Natividad. Que não recebeu nenhum auxílio veterinário, não foi alimentado e, apesar dos pedidos de vários frequentadores da exposição para que fosse solto, permaneceu amarrado até o dia seguinte à inauguração da instalação, quando morreu de fome diante dos olhares dos espectadores.

Diante da polémica que certamente desejava causar, Guillermo Vargas Habacuc afirmou: "O importante para mim era constatar a hipocrisia alheia. Um animal torna-se foco de atenção quando o ponho em um local onde pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua morto de fome". E arrematou: "O cachorro está mais vivo do que nunca porque segue dando o que falar".

Habacuc é um dos artistas selecionados para participar da edição de 2008 da Bienal Centroamericana de Honduras. Porém, uma petição online circula solicitando que a indicação de Guillermo Vargas para a Bienal seja revista. Faço minhas as palavras de Rosa Montero: "não seremos capazes de respeitarmos a nós mesmos se não respeitarmos os demais seres vivos".
*Este texto não é meu, apenas sofreu umas modificações que me pareceram necessárias. Não coloco fotografias deste cachorro nem consigo comentar o que me horrorizou.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Insólito em Carmel

Em Carmel, onde Clint Eastwood foi Mayor, ter quatro patas é melhor que duas.
Na terra dos puppy pin ups, todos os cães tem o seu dia. A sua entrada não é vedada em nenhum espaço, sendo welcome em qualquer loja ou restaurante. É o verdadeiro dogs rule!!
Nesta cidade da Califórnia em cada canto existe uma loja de animais com o seu cabeleireiro frequentadas por canídeos vestidos e penteados como se de pessoas se tratasse.
No centro deste cenário encontrei as situações mais caricatas, entre elas a deste fotogénico Teckel.
Estava eu a bisbilhotar a loja da Louis Vuitton quando ao virar-me desatentamente deparo-me com este "canito" de olhar curioso pousado em mim. Não esperei mais, procurei a máquina fotográfica e disparei sem que os respectivos donos se apercebessem (é que no nosso país à beira mar plantado os cães andam no chão e muitas vezes a toque de biqueiro).
Esta "salsicha" simpática deixou-se fotografar orgulhosamente e eu, qual campónia vinda das berças, feliz da vida!!!
Disparadas as fotos, imaginei a minha galgo espanhol de perna bem longa acomodada num carrinho para cães...
O consumismo é uma doença contagiosa!
P.S.- Já que se fala de cães, aconselho uma leitura atenta a um brilhante texto que encontrei na blogosfera:

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

As madrugadas dos tugas





Anda-se a passar na TV portuguesa um fenómeno que me parece alheio à blogosfera, assim venho por este meio prestar o meu servicinho de interesse público. O que vos quero deixar aqui é muito grave, os dois maiores canais de televisão portuguesa andam a fazer uma efectiva lavagem cerebral aos portugueses. Das três da manhã às quatro é emitido na televisão, o que eu diria, ser a miséria da programação da televisão nacional, talvez ficando atrás, da “Família Superstar” e daquele dos casamentos que prezo não conhecer o nome ao certo…
O formato destas duas pérolas, o “Toca a ganhar” e o “Quanto o telefone toca” (tenho orgasmos múltiplos), passa por ter, cerca de meia dúzia de apresentadores (um de cada vez graças a Deus) a “encher chouriços” durante uma triste hora, dizendo disparates de todo o tamanho através de impressionantes calinadas na língua mater. Na TVI, as apresentadoras esforçam-se por se colocar em frente às câmaras em posições que revelem o melhor das suas silhuetas, implorando com gritos histéricos aos telespectadores (desequilibrados pelas insónias, naturalmente) que liguem para ganharem umas centenas de euros. Às vezes, o desespero é tanto, que as meninas, por entre goladas de água, conseguem guinchar ainda mais alto dizendo que daquela vez, o valor da resposta vale o dobro. Mas, aqui confesso, que também eu, numa noite de insónias e, sem companhia, quase me deixava levar por aqueles “berros da sereia”… mas um laivo de razão demoveu-me… (obrigada paizinho e mãezinha por terem investido na minha formação intelectual)
Mas quando eu pensava que pior era difícil, mudei de canal, e a Sic, generosamente, brindou-me com um espectáculo ainda mais deprimente. O Quimbé, apresentador desta vergonha, também estava a “encher chouriços” durante a mesma hora. Agora, caro leitor, a diferença entre o Quimbé e as “meninas bonitas da TVI” reside na sua total ausência de beleza e pior no estilo de apresentação a fazer lembrar o João Baião no saudoso Big Show Sic. Ora, tendo em consideração o avançar das horas em causa, estou convencida que os efeitos desta “excelente programação” se vão fazer sentir a qualquer momento. Por favor, acautelem os mais pobres de espírito…

sábado, 13 de outubro de 2007

Alcatraz - "The Rock"


“You are entitled to food, clothing, shelter, and medical attention. Anything else you get is a privilege”

Nº5, Alcatraz Prison Rules and Regulations, 1934


Faz hoje um ano que experimentei Alcatraz. Não foi uma experiência agradável mas vivia por isso quero contá-la. A ilha envolve-se numa aura misteriosa, talvez provocada pela carga que lhe foi colocada. Na verdade Alcatraz é muito mais do que uma prisão de alta segurança…
Primeiramente, “The Rock” foi base militar de 1850 a 1930, segue-se uma reinauguração em 1934 como prisão federal que lhe conferiu toda a fama de que goza até hoje.
Durante os 29 anos de existência, a prisão foi o lar de alguns dos maiores criminosos norte-americanos como o conhecido Al Capone, Robert Franklin e Alvin Karpis. Durante todo este tempo, Alcatraz nunca permitiu uma fuga bem sucedida aos seus habitantes. Mesmo assim, não se evitou que fosse encerrada em 1963 devido aos elevados custos da sua manutenção provocados nomeadamente pela inexistência de água potável na ilha. Toda a ilha tinha de ser abastecida pelo continente através de enumeras e dispendiosas viagens. Em plena harmonia com os mais perigosos criminosos do país, viviam os guardas prisionais e suas famílias, ao que parece Alcatraz seria um local magnífico para se educar as crianças.
No final dos míticos anos 60, foi ocupada por índios através de um tratado inovador para a época, reconhecendo direitos de auto-determinação e utilização da ilha aos “Indians Of All Tribes”. Este estatuto seria retirado passados apenas dois anos, no entanto, ainda nos nossos dias, os índios voltam a Alcatraz no Columbus Day ou no Thanksgiving Day para o “Sunrise Ceremony for Indigenous People” comemorando a ocupação.
Mesmo que só por momentos, habitar Alcatraz torna todos estes dados irrelevantes, o nosso corpo e pensamento indicam-nos com a clareza de uma fórmula matemática que Alcatraz mais que uma prisão física é uma tortura psicológica.
Chegados aos cais de onde partem os barcos com rumo à ilha, comprámos os bilhetes e aguardámos numa longa espera até termos vaga numa das embarcações. A curiosidade é muita e obviamente não eramos os únicos a querer conhecê-la. Já no barco, o vento gelado trespassa-me e penso vagamente na adversidade que a temperatura humana encontraria naquelas águas, quando confrontada com uma possível tentativa de fuga. Tudo começou a ser equacionado ali, a fuga começa a parecer, desde a primeira à última vista, impossível!
Pisámos “The Rock” e tudo em redor era medonho, frio, velho, enferrujado, decadente, feio... assustador! Embora soubesse que só ficaria por ali umas horas, senti-me presa naquele isolamento, angustiada com a minha própria imaginação. Todos os edifícios estão degradados, num abandono quase propositado… Mas o real confronto emocional acontece quando impressionados com aquele cenário, os nossos olhos repousam numa das cidades mais bonitas do mundo que a pouco mais de uma milha, foi tornada inalcançável… talvez esta fosse a verdadeira pena dos prisioneiros de Alcatraz…

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Proclamação da "democracia"

Até às 17:00 mais de 4.500 pessoas já tinham visitado hoje os jardins do Palácio de Belém, numa iniciativa que o Presidente da República considerou ser uma oportunidade de "aproximar os cidadãos às instituições da democracia".






Agência Lusa






"Aproximar os cidadãos às instituições da democracia."?


Já agora! Que democracia? Aquela em que uns ficam na fila do centro de saúde, se ele ainda existir, e outros se acomodam confortavelmente numa cama do Hospital da Luz?






Já há muito tempo que desisti de ser democrata num país de selvagens e ignorantes e não culpo nenhum Governo menos competente por isso... um passeio ao Domingo em qualquer marginal deste país à beira mar plantado encarrega-se disso.






De qualquer da maneiras não me venham com tretas de que por quase 5000 deslumbrados visitarem os jardins do Palácio de Belém e a imaginar que, entrar no Palácio só mesmo pela porta do cavalo, aproxima os cidadãos às instituições democráticas!!
Nem escrevo mais que não quero perder tempo com isto!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

De Tarde

Fica aqui um post pessoal em jeito de homenagem a uma pessoa que já não está entre nós mas que continua viva na minha memória como uma doce lembrança, tal como era a sua amizade por mim. Relendo este poema lembrei a sua ternura de avô, que mesmo não o sendo, não o poderia ter sido mais! Consigo relembrar cada vez que o ouvi sair dos seus lábios, sempre com o mesmo entusiasmo de primeira vez, como se fosse redescoberto a cada estrofe. Ainda percorre em mim a culpa de não o ter acompanhado quando, talvez, precisasse mais... guardo-o comigo na sua vivacidade perspicaz e tranquila numa recordação que nem a morte consegue roubar...




Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


Cesário Verde

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Oktoberfest - Blumenau, Brasil


















Blumenau é uma cidade do interior do estado de Santa Catarina no Brasil. Fundada em 1850 pelo filósofo Hermann Bruno Otto Blumenau, esta cidade encerra em si fortes características europeias, particularmente alemãs. Capta a atenção de qualquer visitante pela sua arquitectura, gastronomia, natureza e festas, completamente fora do restante contexto. Quem chega a Blumenau corre o risco de esquecer que está no Brasil. As casas tipicamente germânicas, com telhados adaptados para a neve inexistente naquela zona, estão espalhadas pela cidade, a língua ouvida em cada recanto é frequentemente a alemã sobrepondo-se ao sotaque adocicado do “português-brasileiro”, as letras góticas estão presentes em todos os anúncios publicitários e nas ementas o alemão é a segunda língua. Com um padrão de vida superior à média brasileira, Blumenau possui o dinamismo de um centro urbano moderno, alto rendimento per capita e baixíssimos índices de analfabetismo e violência.
Mas não vim “postar” sobre Blumenau inocentemente. O que realmente interessa é que dentro de dias começa o avassalador Oktoberfest e não posso deixar passar em branco a maior festa bávara fora da Alemanha. Pois, é nesta cidade brasileira, com atípica arquitectura colonial alemã aliás condizente com o espírito da festa, que acontece a segunda maior Oktoberfest do mundo, só cedendo o primeiro lugar no pódio para a festa original em Munique.
Esta versão da festa nasceu, em 1984, da vontade dos locais expressarem a sua admiração pela vida e tradições germânicas. Amigos, a festança começa dia 4 de Outubro e só vê um fim dia 21 de Outubro. Embora envolva toda a cidade, à noite é na Proeb (Parque Vila Germânica) que todos se encontram para, ao longo de 17 dias, consumir os anuais 500 mil litros de cerveja e fazer do Oktoberfest um evento incomparável.
Infelizmente, cheguei tarde de mais, no ano em que lá estive, e perdi a festa brasileira com maior “agito” depois do carnaval.
É preciso ter azar, eu que aprecio tanto uma cervejinha!!!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Harrods - Cobra protege Sandália


A famosa loja de departamentos londrina Harrods colocou uma cobra venenosa para guardar uma sandália luxuosa posta à venda. Este objecto de luxo traz um enfeite em forma de serpente feita de safira, rubi e diamantes. Segundo o porta-voz da Harrod's, Martin Buckley, o evento marca o lançamento da série Timeless Luxury, algo como Luxo Eterno. Mas para guardar um par de sandálias cravejadas de rubis, safiras e diamantes da marca René Caovilla, a tradicional loja de departamentos inglesa Harrods, tomou um cuidado extremo: “contratou” uma cobra egípcia venenosa para patrulhar o caríssimo par de sapatos, estimado em 120.000 dólares. A cobrinha - da espécie Naja monóculo – parece levar o trabalho a sério. Ela atacou o treinador Michael Howes quando ele tentou colocar a mão dentro da caixa onde está a sandália.

E viva o luxo, que não estando ao nosso alcance, nos permite sonhar...

sábado, 22 de setembro de 2007

Oahu - Hawaii

(santuário encontrado em "Diamonds Heads")
Na manhã seguinte à compra das passagens, o Hawaii tremeu com intensidade superior a 7 na escala de Richter. Usei todos os argumentos válidos que me ocorriam para não apanharmos o avião da Delta Airlines com destino a Honolulu, na ilha de Oahu. Relembrei os horrores dos tsunamis mas ninguém me ouviu, observavam-me como se eu fosse uma desequilibrada a debitar factos sem nexo. A verdade é que acabei por embarcar na pior viagem de avião da minha vida, foram cinco horas intermináveis de turbulência com aroma a canja de galinha que felizmente nunca chegou a ser servida. Quando, finalmente aterrámos, o inesperado aconteceu, iniciou-se uma animada chuva de berros entre a tripulação: “Aloha!”. Fiquei incrédula, depois de tão agitada viagem aquela gente estava a fazer do avião palco de mega festão. Resignada, aceitei o festejo e até entrei na onda, afinal estava no Hawaii e não havia melhor maneira de festejar o facto de estar viva senão entrar no espírito…
Depois de a respiração estar apta a conviver com elevados níveis de humidade no ar, apanhámos o shuttle para o hotel que, depois de variadas discussões, havia conseguido reunir níveis mínimos de consenso. Como quem muito escolhe pouco acerta ficámos num hotel ultrapassado recheado de coreanos com um intenso aroma a noodles. A viagem fez-se ao som de uma rádio local e apresentou-me um Hawaii muito distante do que eu imaginei. Da janela, tudo o que podia ver eram hotéis construídos sem critério. Japoneses, carregados de sacos da Prada, Chanel, Dior, caminhando apressadamente em busca da última solicitação consumista.
Num momento introspectivo admiti que aquilo poderia não ser bem o que eu estava à espera. Mas estava a ser tão injusta, caída num juízo impreciso feito à primeira vista. Na realidade, Oahu, era muito mais do que eu chegaria a imaginar…
Chegados ao hotel, esperava-nos o normal para quem viaja com os tostões contados. Despertei da primeira noite, a minha companhia como sempre estava adormecida no seu típico sono profundo. Não queria acreditar! Eram 6 da manhã! Estava a fazer o jet-lag de San Francisco! Fui aos tropeços até à janela, e ao contrário das grandes tempestades pós-terramoto previstas, tinha à minha espera um dia quente e ensolarado.
No Hawaii o tempo corre com um ritmo próprio… o dia começa às seis da manhã quando os primeiros raios de sol empurram os surfistas para a disputa da melhor onda e a partir daí o dia de praia só termina quando o pôr-do-sol acontece ao som de palmas emocionadas dos que chegam para o contemplar. É um espectáculo único a cada dia, sentido e captado como se de um cenário irrepetível se tratasse.
Quando, Waikiki beach serve de ponto de partida adquire-se uma visão turística da ilha distante da pura essência deste arquipélago. A verdadeira aventura começa quando nos aventurámos para fora do centro turístico. Para conhecer o Hawaii é preciso ir muito mais além. Alugámos o carro (discutimos por causa do modelo, Mustang descapotável ou Ford Focus, como se houvesse discussão possível!), pegámos nos mapas e com Waikiki nas nossas costas entrámos no verdadeiro Hawaii que os nativos tanto se esforçam para esconder. Serpenteamos por entre o verde mais intenso que os meus olhos já viram e a primeira paragem foi de cortar a respiração: à nossa frente, o imponente Diamonds Head, a cratera de um vulcão que possivelmente teria sido explosivo, extinto há 150000 anos. Passámos por Kahala onde se encontram espectaculares mansões com o mar a bater à porta. Seguimos para Sandy Beach, a praia mais perigosa de Oahu com direito a uma ambulância constantemente de plantão.
E agora sim, estávamos a viver o Hawaii! Seguimos para Waimanala beach, parámos em Kailua beach, eleita “American Best Beach”, para nos refrescármos. Com a minha habitual sorte, fui apanhada por um jelly fish que me fez uma incómoda queimadura na perna. Tratado o problema com água e vinagre e comigo a achar que iria morrer a qualquer momento, seguimos viagem. Percorremos praias paradisíacas como Ka’a’ana, Kaihalulu onde fica o espectacular Turtle Resort, Waiali’e beach. Sunset beach é a Meca do surf mundial, mas as ondas que vemos nos campeonatos só acontecem em Dezembro, no entanto todo o mar da costa de North Shore produz monstruosas ondas durante todo o ano e mesmo as menores são igualmente perigosas. Nesta zona encontra-se o Banzai Pipeline que é um dos mais famosos pontos de surf do mundo. Seguimos para Waimea Bay, local bastante movimentado por aficionados do surf e bodyboard com um ambiente completamente diferente de Waikiki, sem grandes hotéis e restaurantes, aqui a vida é levada em perfeita comunhão com a natureza. A viagem à volta da ilha termina em Haleiwa porque a zona oeste da ilha encontra-se interdita por razões inexplicáveis. Ao longo de toda esta costa está criada uma áurea de secretismo quase esotérico, envolta em perigos à mistura com a potencial existência da máfia hawaiana operando naquela zona. Fiquei curiosa mas o conselho era unânime: não ir!
O regresso é feito pelo interior da ilha onde o domínio do Mr. Dole é evidente. São impressionantes as enormes plantações de abacaxi que ocupam grande parte do território da ilha, propriedade do magnata.
O dia teve fim como todos os outros até ali, com um morno luau num palco de relva seguido de um Mai-Tai no Sheraton Muana SurfRider. Sim, porque, de vez em quando, também nos tratámos bem!

Com esta viagem sente-se a compreensível antipatia do povo hawaiano e a sua aversão à “turistada” que invade de maneira selvática o seu “private paradise”. Desde a chegada querem-nos condensados em Waikiki ou a visitar a ilha através de excursões organizadas.

Ao escrever este texto revivi momentos passados acabando por ser um agradável exercício de felicidade nostálgica mas, nunca tive a pretensão de diminuir o Hawaii a um texto ou a uma fotografia por melhor que fosse. Acredito que sítios mágicos não se escrevem ou captam, sentem-se…

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Luiz Claudio profetiza em Matosinhos


Este cartaz deixou-me sem palavras... Matosinhos recebe a dignificante visita do Profeta Luiz Claudio, nos dias 24, 25 e 26 de Novembro. Este homem com "H" grande conseguiu, ao longo da sua vida, o inimaginável, como é possível ler no cartaz. Não é qualquer um que sendo ex-travesti e ex-presidiário continua vivo, mas o profeta vai mais longe no desafio que lança à morte; ele contrai o vírus da SIDA e nem esta doença incurável o consegue levar para junto do Senhor. Mas mais do que a desafiar morte, o profeta Luiz Claudio, trata por tu os mistérios da vida e consegue engravidar uma mulher seca, ainda por cima duas vezes!! Ele, sem dúvidas, é o Messias!!! Não percam a oportunidade de conhecê-lo e receber o milagre das mãos de Deus!!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Calendário Pirelli - Sophia Loren







Com 72 anos, Sophia Loren, aparece irresistível no famoso Calendário Pirelli. Numa participação estrondosa, só a sua presença consegue contrabalançar a falta de imaginação patente nas restantes fotos do calendário de 2007. Sophia Loren aniquila, com a sua aparição, todas as outras "estrelas" que preenchem os doze meses do calendário ao transmitir o verdadeiro conceito de beleza de que andamos alienados... a beleza intemporal, forte, com carácter. Parabéns ao Calendário Pirelli, que sem respeitar os padrões estabelecidos, consegue incontestávelmente elevar ao expoente máximo a beleza e sensualidade femininas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"Death Proof" - Quentin Tarantino

“À Prova de Morte” é a parte realizada por Quentin Tarantino do projecto “Grindhouse”, co-assinado por Robert Rodriguez. A expressão “Grindhouse” designa os cinemas norte-americanos que, especialmente durante a década de 60, passavam sessões duplas de filmes de série B (ou Z, se a qualidade fosse mesmo muito duvidosa), de diversos géneros, mas quase sempre explorando de forma explícita a violência e cenas de sexo. Com este filme, o realizador apresenta-nos um filme inspirado nos “exploitations films” que constituíam obras de baixo orçamento, graficamente explícitas e com temáticas sensacionalistas. Sendo, o "Death Proof" uma ode ao cinema de velocidade e uma homenagem aos filmes da série Z o espectador pode contar com uma cópia riscada, saltos de imagem e falhas no som. Nesta película, Quentin demonstra uma vez mais o conhecimento académico que detêm de cinema.
Tarantino, neste filme copia-se a si próprio, utilizando um enredo básico a fazer lembrar um daqueles filmes de terror que ele tanto aprecia, onde um psicopata persegue e assassina jovenzinhas inocentes usando para isso o seu carro à prova de morte. Na primeira parte seguimos um primeiro grupo de raparigas que serão as vítimas do nosso psicopata favorito e que termina com uma cena memorável em que vemos um acidente de carro com consequências macabras. Essa sequência de cenas é muito peculiar tornando-se um exemplo entusiasmante de virtuosismo tarantinesco já que nos mostra o acidente perspectivado por cada uma das quatro vítimas. Na segunda parte, temos uma fórmula similar mas, desta vez, as “miúdas” farão frente ao nosso “psico”. As exageradas cenas de violência gratuita, os diálogos, o guarda-roupa fazem sentir a presença de Quentin que consegue, simultaneamente, ser nerd e fashion, demodé e progressista.
O realizador cria uma atmosfera vintage artificial num filme que mais uma vez apresenta uma banda sonora fenomenal enaltecendo todo o ambiente apresentado.
Compreender Tarantino e apreciar “Death Proof” é aceitar o excesso como medida razoável, o mau gosto como variante híbrida de bom gosto e a inexistência de limites como limite em si mesmo. Numa frase: só ele podia fazer algo tão bom e tão mau ao mesmo tempo.

domingo, 16 de setembro de 2007

O Dia Global de Acção por Darfur

A causa de Darfur preocupa-me desde que tomei consciência da sua real dimensão. Assim quero registar no meu blog que hoje se assinala “O Dia Global de Acção por Darfur”, em todo o mundo e será também marcado em Portugal por uma acção promovida pela Campanha por Darfur, com uma concentração em Lisboa.
A guerra civil no Darfur desde 2003 provocou já mais de 200.000 mortes e 2,1 milhões de refugiados. São números que impressionam mas não devemos interpretá-los apenas como uma contagem, é preciso não esquecer que por trás de cada um deles está a vida de uma pessoa.
Finalmente e após muita pressão, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a 31 de Agosto uma resolução visando a constituição de uma força mista Nações Unidas-União Africana para pôr fim à violência na região do oeste do Sudão, mas ainda há muito por fazer.
Quem quiser ajudar de alguma forma, as ONG que constituem a Campanha por Darfur em Portugal são a Amnistia Internacional, a Africa-Europea Faith and Justice Ntework, a Caritas Portuguesa, a Comissão Justiça e Paz dos Religiosos, a Fundação Gonçalo da Silveira e os Missionários Combonianos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Punta del Este

Cotada como Saint Tropez da América Latina, Punta del Este brilha no verão. Sendo um dos lugares mais sofisticados e exclusivos do mundo, este hot spot na República Oriental do Uruguai é frequentado por artistas, milionários e afins.
Os longos dias estivais de Janeiro trazem aos dias a dádiva de 15 horas de luz solar e provocam a multiplicação da população por trinta! Mas quem escolhe este destino não procura apenas praias “capa de revista”, neste local praia e civilização rimam com uma harmonia única. Punta está rodeada por toda uma infra-estrutura completa que permite a aliança estreita entre praia e vida inteligente, colocando à distância os típicos balneários sul-americanos. Aqui tudo é alcançável: livrarias magníficas à saída da praia, festivais de jazz que ritmam as noites de verão, lojas de vinhos preparadas para satisfazer os mais exigentes, cavalgar um puro-sangue nos bosques uruguaios ao fim da tarde, jantar num dos gourmet restaurant da cadeia Relais & Châteaux… ou simplesmente passear na típica avenida Gorlero recheada de casinos, lojas e restaurantes para todos os apetites excepto para os apreciadores de comida brasileira. Transversalmente, a Calle 20 é como a Via Veneto em Roma e a Champs Elysées em Paris, uma vitrina das grandes marcas internacionais.
Este paraíso no Novo Mundo está dividido, pelas praias mansas num extremo e pelas praias bravas do outro, obviamente que me inclinei para estas, o que a longo prazo se revelou um palpite mais do que certeiro. A 15 km do centro da cidade, do lado das praias bravas encontra-se a Playa Barra e a FTV beach onde a vida nocturna se divide entre bares, restaurantes, lojas de decoração, ateliês de arte que conferem um clima hippie-chic a este lugar.
Durante a agitação da noite a segurança dos visitantes é um ponto forte com a polícia a aconselhar comportamentos prudentes e a não deixar esquecer que continuamos na América Latina.
De manhã, Punta del Este esconde-se na sua convalescença, adormecida numa preguiça boémia, ressentida de mais uma noite intensa…. Mas o party people só a despertará do seu desmaio matinal depois do meio-dia.
O ponto alto é o final de tarde, sendo obrigatória a passagem no porto da cidade para saborear um cocktail homenageando um pôr-do-sol que confere sentido a qualquer existência.
Punta del Este depois de um mês no Brasil trouxe à memória o conforto e a elegância das praias do mediterrâneo. A sensação de estar num ambiente familiar fez adiar o regresso por três vezes, mesmo com as mochilas feitas e os bilhetes comprados nada nos fazia partir… só a promessa que um dia voltaríamos…

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Tom Ford

Para quem sempre quis ver a Scarlett como veio ao mundo aqui fica esta capa da Vanity Fair a lembrar um quadro renascentista com pinceladas de irreverência.

Tom Ford não foi longe com esta campanha para a Gucci que acabou por ser impedida de circular pelos meios de comunicação.

Chocante mas deliciosamente provocador...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Quanto é que vales em dólares?

Querem mesmo saber? Pois é, agora é possível ter uma ideia de quanto cada um de nós vale em dólares! Assustador? Não! Sinceramente já esperava há muito tempo por este momento! É só mais uma prova de que vivemos numa sociedade sem valores por que se possa orientar. Mas... Ah! não é possível!... Sinto em ti uma curiosidade mórbida... Oh! Queres mesmo saber quanto vales... será? Queres saber não é? Confessa! Ok! Visita http://www.humanforsale.com/ e põe-te à venda já antes que venham os saldos!


Também passei por lá, inicialmente só para saber da dimensão do que estaria a falar quando escrevesse este post mas depois também a pergunta me assolou: QUANTO É QUE EU VALHO? Mas resisti... preferi continuar incalculável! Não fiz o teste mas confesso que estive quase a entregar-me à tentação. Cheguei a responder a perguntas atrevidas mas após alguns clicks do rato caí em mim e senti que preferia continuar um ser humano de preço inestimável.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

aprincesaeoblog

Encontrei esta foto maravilhosa no blog de uma amiga e não resisti a fazer um post com ela!!! Eu como sempre estava toda contente, uma verdadeira pateta alegre!! :-), o Manel lá se resignou e tirou a foto com a Joana em cima dele! E claro a ideia de se por em cima de nós, como não podia deixar de ser, foi da Joana!! E viva o calor, a praia, o mar, a noite, as minis, as "raquetas", os brasileiros, o guarda-sol e os AMIGOS!!!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Ciudad del Este - Paraguay


Ciudad del Este, Paraguai. Terceiro maior centro comercial do mundo perdendo apenas volume de negócios para Miami e Hong Kong. Aquele fim de mundo era a terra prometida na minha via-sacra consumista. A decisão da minha peregrinação até Assuncion em busca de preços ainda mais baixos e de acelerar o ritmo da aventura não foi aceite de ânimo leve. Por irrecusável exigência a primeira tentativa foi feita a pé já com a capital fora de questão no nosso mapa. De carro seria impossibilitada por um inevitável pedido de suborno no valor de 100 USD. Mas aquela primeira aproximação permitiu um curioso relance sobre o que a Ponte da Felicidade tinha para mostrar a dois europeus pouco hábeis nas realidades do terceiro mundo. Atravessando a ponte como formigas humanas carregadas de muamba, nacionais brasileiros deixavam apressadamente um país que confere legitimidade à polícia para deter qualquer cidadão sem ordem judicial e sem provas de que tenha cometido algum crime. Mas eles constituem apenas 10% da clientela, 90% dos negócios são realizados por grandes contrabandistas ligados a organizações criminosas internacionais a quem a polícia não chega nem a fazer cócegas. A zona com 7000 mesiteiros (nome dado na região para camelôs) é responsável por metade do PIB do país. Na cidade de tons quentes, enlameada e vestida de lixo respira-se a atmosfera de crime, contrabando e corrupção apadrinhada por homens armados de escopetas em cada virar de esquina.
A cidade é habitada por pedintes, arrumadores de carros, prostitutas menores formando um mix implacável de decadência humana. Provocando a desconfortável dualidade de realidades e partilhando o mesmo espaço físico, o shopping Mona Lisa têm para oferecer além do luxo, o mais insólito contraste: num ambiente que me lembrou novamente a sensação de frio fico atónita ao ver as estantes elegantemente decoradas por magníficos Fendi’s, Gucci, Louis Vuitton, Chanel e outros bens supérfluos de nenhuma necessidade só ao alcance das carteiras mais douradas.
Mas esta zona da triplica fronteira tem muito mais a esconder e a miséria humana não se esgota no pequeno crime praticado nas ruas, pensasse que a cidade poderá esconder uma possível célula da Al-Qaeda sob a cobertura da comunidade árabe e é certo que daqui partem generosos patrocínios que têm como destino organizações terroristas como o Hezbollah.
A minha experiência neste submundo fica para contar noutra data mas também eu me senti mais segura quando atravessei a Ponte da Felicidade e o Paraguai se transformou numa longínqua miragem.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Praia do Rosa - 2003/2004


Dia 31 de Dezembro de 2003 deixamos a Lagoa da Conceição em Floripa tendo como destino de sonho a melhor “virada do ano” do sul do Brasil. A miragem concretizava-se a 90 km, que seriam galgados pelos pneus de um “Fusca” com volante de Kart e uma carrinha Volkswagen modelo “Paraty podre de velha” que só aceitava álcool para beber.

Tal como o destino, já à partida, a viagem prometia!

A distância de compacta fila, percorrida a velocidade inversa à nossa ansiedade só veria fim passadas quatro horas de calor aliviadas pelos efeitos medicinais da maconha.
Quando todos pensávamos silenciosamente que o trajecto não podia ser pior, o “Fusca” recusou-se a cumprir a sua obrigação. A presença da polícia federal prontamente disponível para dar um empurrãozito a um carro que legalmente não existia num acto de notável generosidade transformou o contratempo num episódio para mais tarde recordar. Talvez intimidado, o “Fusca” acabou por se resignar e completou os 20 km que faltavam para o destino: Praia do Rosa.

Para além de nós os seis, estavam connosco mais 20 portugueses distribuídos por “viaturas topo de gama” entre elas a inesquecível Combi que tão talentosamente havia sido pintada de vaca.
Pelo caminho foi fácil admitir que Praia do Rosa na passagem de ano não tinha sido uma ideia propriamente original!

Chegados encontrámos lotação esgotada. Uma multidão de brasileiros, argentinos e uruguaios prontos para provar a loucura da meia-noite levantava poeira pelas estradas de terra batida.

Íamos ficando cada vez mais expectantes com o que a noite nos reservaria, incluindo eu, que sempre pensei que iria rentabilizar aquela noite e torná-la na melhor passagem de ano da minha vida. Tudo o que era preciso estava lá: espírito brasileiro, natureza, praia, calor, gente bonita, caipirinhas, música… era só tirar o maior partido possível…

O relógio estava prestes a marcar a hora que nos fez partir da ilha mágica, e eu ainda continuava a abastecer-me de morangoskas saídas de belíssimas mãos argentinas, depois de um jantar insosso. Tive de ser rápida, corri pelas estradas de terra batida, tinha de chegar à praia antes da meia-noite, queria fazer parte daquela festa branca e sentir toda a energia humana que vibrava ao longe…
Consegui… 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1!!! 2004! Deixei-me levar pela emoção comum a todos os que ali estavam numa entrega que até hoje nem tento explicar. Ali, naquele instante, não havia dúvidas: 2004 seria um ano diferente, especial como se me fosse possível prolongar o êxtase que estava a sentir por mais 365 dias!

Tudo terminou após uma curta hora, consequência de alguns excessos e, na realidade o ano também não foram rosas mas mesmo assim fico feliz ter feito parte daquela celebração.

(este texto é dedicado ao Fran, o catalão que com um abacaxi bêbado destruiu a minha noite)