sábado, 13 de outubro de 2007

Alcatraz - "The Rock"


“You are entitled to food, clothing, shelter, and medical attention. Anything else you get is a privilege”

Nº5, Alcatraz Prison Rules and Regulations, 1934


Faz hoje um ano que experimentei Alcatraz. Não foi uma experiência agradável mas vivia por isso quero contá-la. A ilha envolve-se numa aura misteriosa, talvez provocada pela carga que lhe foi colocada. Na verdade Alcatraz é muito mais do que uma prisão de alta segurança…
Primeiramente, “The Rock” foi base militar de 1850 a 1930, segue-se uma reinauguração em 1934 como prisão federal que lhe conferiu toda a fama de que goza até hoje.
Durante os 29 anos de existência, a prisão foi o lar de alguns dos maiores criminosos norte-americanos como o conhecido Al Capone, Robert Franklin e Alvin Karpis. Durante todo este tempo, Alcatraz nunca permitiu uma fuga bem sucedida aos seus habitantes. Mesmo assim, não se evitou que fosse encerrada em 1963 devido aos elevados custos da sua manutenção provocados nomeadamente pela inexistência de água potável na ilha. Toda a ilha tinha de ser abastecida pelo continente através de enumeras e dispendiosas viagens. Em plena harmonia com os mais perigosos criminosos do país, viviam os guardas prisionais e suas famílias, ao que parece Alcatraz seria um local magnífico para se educar as crianças.
No final dos míticos anos 60, foi ocupada por índios através de um tratado inovador para a época, reconhecendo direitos de auto-determinação e utilização da ilha aos “Indians Of All Tribes”. Este estatuto seria retirado passados apenas dois anos, no entanto, ainda nos nossos dias, os índios voltam a Alcatraz no Columbus Day ou no Thanksgiving Day para o “Sunrise Ceremony for Indigenous People” comemorando a ocupação.
Mesmo que só por momentos, habitar Alcatraz torna todos estes dados irrelevantes, o nosso corpo e pensamento indicam-nos com a clareza de uma fórmula matemática que Alcatraz mais que uma prisão física é uma tortura psicológica.
Chegados aos cais de onde partem os barcos com rumo à ilha, comprámos os bilhetes e aguardámos numa longa espera até termos vaga numa das embarcações. A curiosidade é muita e obviamente não eramos os únicos a querer conhecê-la. Já no barco, o vento gelado trespassa-me e penso vagamente na adversidade que a temperatura humana encontraria naquelas águas, quando confrontada com uma possível tentativa de fuga. Tudo começou a ser equacionado ali, a fuga começa a parecer, desde a primeira à última vista, impossível!
Pisámos “The Rock” e tudo em redor era medonho, frio, velho, enferrujado, decadente, feio... assustador! Embora soubesse que só ficaria por ali umas horas, senti-me presa naquele isolamento, angustiada com a minha própria imaginação. Todos os edifícios estão degradados, num abandono quase propositado… Mas o real confronto emocional acontece quando impressionados com aquele cenário, os nossos olhos repousam numa das cidades mais bonitas do mundo que a pouco mais de uma milha, foi tornada inalcançável… talvez esta fosse a verdadeira pena dos prisioneiros de Alcatraz…

3 comentários:

Mabides disse...

Que a ida a Alcatraz tinha sido um "pesadelo", apesar de saberes que não ias ficar lá por muito tempo, já eu sabia...o que me supreendeu foi a forma como viveste esta experiência!Talvez não me tenha apercebido na altura da "carga" (histórica, psicológica) daquela ilha!Agora à distância de um ano tudo para mim faz mais sentido!Mesmo assim não deixo de acreditar que se tivesse que lá ficar por muito tempo...estava muito bem acompanhado!BJS e que outras "ilhas" te tragam melhores e tão fortes recordações!

Mila disse...

Francisca, admiro as tuas viagens, fascinam-me. Já fiz algumas mas ainda tenho que fazer muitas mais. É bom ler os teus relatos...deixam água na gripe...

Mila disse...

LOLOL. É o que dá estar a fazer 1001 coisas ao mesmo tempo. Aqui vai o correcto:

Francisca, admiro as tuas viagens, fascinam-me. Já fiz algumas mas ainda tenho que fazer muitas mais. É bom ler os teus relatos...deixam água na boca...