Desta vez, as coisas aconteceram de maneira diferente. Os australianos e as pessoas que viajam como nós, metem conversa, querem conhecer-nos, saber de onde vimos, como vivemos, querem trocar experiências. Fazem questão de nos ajudar de uma forma tão generosa que mesmo só atrapalhando, é impossível contrariá-las.
Esta fase da viagem, foi fértil em conhecimentos. Em Yeppon, ficámos num apartamento de um casal de velhinhos, que nos receberam como nunca fui recebida num grande hotel. Arranjaram-nos o jantar, fizeram tudo o que podiam e não podiam para nos ajudar, já que tínhamos chegado muito tarde… quando souberam que éramos portugueses, a senhora disse-me que o maior sonho dela era ir a Fátima. Apesar de não ser propriamente religiosa, fiquei tão emocionada por saber que, de tão longe, alguém tinha no nosso país um sonho. Pedi-lhe a morada e prometi-lhe que lhe enviava um terço de lá.
Yeppon, foi só uma porta de entrada para a Great Keppel Island e o fim dos Backpackers na nossa viagem. Assim fugimos para um resort para descansar dois dias e conhecer a ilha. Tudo estava a correr de acordo com o descanso quando a “je” se lembrou que fazer uma trilha é que era fixe! O Mabides insistiu que a fizesse de havainas, calções e bikini. O repelente de insectos, segundo ele, era para meninos! A trilha terminou com as minhas costas transformadas num campo de batalha de mosquitos… uma miséria! À noite tivemos um súbito “encounter” com mais uns bichos australianos. Pareciam umas topeiras e perseguiam-nos, se achassem que tínhamos comida. O Mabides da primeira vez, fugiu e deixou-me sozinha a lidar com estes animais selvagens. Mas, eu à noite vinguei-me e fechei-o na varanda com um, enquanto delirava com a cena, não sei qual dos dois estava mais assustado. De manhã, tivemos mais um encontro, desta vez, com uns papagaios em miniatura, os lorikeets, que se sentiram completamente à vontade para dar umas dentadas nas minhas “cream crackers”. Quando reparei, a situação estava fora do meu controlo, tinha três em cima da mesa a comerem directamente do prato. Eu queria que eles experimentassem a minha fúria mas, faltou-me a coragem.
Aqui na Austrália os animais é que mandam!
Da Great Keppel Island fomos para as Whitsundays. Fizemos a viagem de comboio durante a noite. Aproveito para vos falar um bocadinho dos Australianos que viajam de comboio. Primeiro andam todos descalços e sujos, com pelo menos duas almofadas atrás. As crianças viajam de pijama mas, antes de entrarem para o comboio rebolam pelo chão das estações.
Depois de alguns contratempos, chegámos à Long Island, uma das 74 ilhas que fazem parte das Whitsundays. Desta vez, tínhamos cangurus a pinchar pelo resort. Fomos avisados que haviam jelly fishes aos magotes por aquelas bandas. Mas, eu, como não sou novata nestes ataques, decidi que fazer snorkelling sem fato era mais radical e condizente com o espírito de aventura. Fui atacada, desta vez no braço, ou seja, tive tempo de evitar um ataque mais feroz. Não houve direito a desmaio, taquicardia nem dores de cabeça como da última vez. Umas picadelas, comichão, duas marcas no braço e siga.
Ah!! Fiz um cruzeiro pelas Whintsundays e fugi com este gajo aqui da foto! Acho que o Mabides anda perdido pelo Outback com uma aborígene…