segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"Death Proof" - Quentin Tarantino

“À Prova de Morte” é a parte realizada por Quentin Tarantino do projecto “Grindhouse”, co-assinado por Robert Rodriguez. A expressão “Grindhouse” designa os cinemas norte-americanos que, especialmente durante a década de 60, passavam sessões duplas de filmes de série B (ou Z, se a qualidade fosse mesmo muito duvidosa), de diversos géneros, mas quase sempre explorando de forma explícita a violência e cenas de sexo. Com este filme, o realizador apresenta-nos um filme inspirado nos “exploitations films” que constituíam obras de baixo orçamento, graficamente explícitas e com temáticas sensacionalistas. Sendo, o "Death Proof" uma ode ao cinema de velocidade e uma homenagem aos filmes da série Z o espectador pode contar com uma cópia riscada, saltos de imagem e falhas no som. Nesta película, Quentin demonstra uma vez mais o conhecimento académico que detêm de cinema.
Tarantino, neste filme copia-se a si próprio, utilizando um enredo básico a fazer lembrar um daqueles filmes de terror que ele tanto aprecia, onde um psicopata persegue e assassina jovenzinhas inocentes usando para isso o seu carro à prova de morte. Na primeira parte seguimos um primeiro grupo de raparigas que serão as vítimas do nosso psicopata favorito e que termina com uma cena memorável em que vemos um acidente de carro com consequências macabras. Essa sequência de cenas é muito peculiar tornando-se um exemplo entusiasmante de virtuosismo tarantinesco já que nos mostra o acidente perspectivado por cada uma das quatro vítimas. Na segunda parte, temos uma fórmula similar mas, desta vez, as “miúdas” farão frente ao nosso “psico”. As exageradas cenas de violência gratuita, os diálogos, o guarda-roupa fazem sentir a presença de Quentin que consegue, simultaneamente, ser nerd e fashion, demodé e progressista.
O realizador cria uma atmosfera vintage artificial num filme que mais uma vez apresenta uma banda sonora fenomenal enaltecendo todo o ambiente apresentado.
Compreender Tarantino e apreciar “Death Proof” é aceitar o excesso como medida razoável, o mau gosto como variante híbrida de bom gosto e a inexistência de limites como limite em si mesmo. Numa frase: só ele podia fazer algo tão bom e tão mau ao mesmo tempo.

3 comentários:

Mabides disse...

Ainda não vi ... mas devo dizer que neste momento de filmes "pseudo-moralistas" sobre as guerras americanas, o aquecimento global e coisas do género, apresenta-se como uma agradável alternativa para quem vai ao cinema para viver um filme, e não para ser consumido por um! A par de Quentin, acho que Clint se apresentam como realizadores dispostos a não cair na tentação dos "box office"!!

Anónimo disse...

Vi o filme. Gostei. Acho que O Q.T. continua igual a si mesmo e ainda bem! Desde os diálogos, aparententemente destituidos de lógica, ás cenas da dupla Zoe Bell, e da cena que falaste em que ele mostra promenorizadamente cada vítima do "Stuntman" Mike. Discordo, portanto, das (más) críticas e espero ansiosamente o "Planet Terror" do R. Rodriguez, a outra parte do prjecto "Grindhouse"... Parabéns pelo Blog. Vou visitar-te mais vezes! Daniela Godinho.

Francisca Correia disse...

fico muito feliz por visitares o meu blog.. espero estar à altura das tuas visitas!!! :-) Bjs grandes e obrigada