sábado, 22 de setembro de 2007

Oahu - Hawaii

(santuário encontrado em "Diamonds Heads")
Na manhã seguinte à compra das passagens, o Hawaii tremeu com intensidade superior a 7 na escala de Richter. Usei todos os argumentos válidos que me ocorriam para não apanharmos o avião da Delta Airlines com destino a Honolulu, na ilha de Oahu. Relembrei os horrores dos tsunamis mas ninguém me ouviu, observavam-me como se eu fosse uma desequilibrada a debitar factos sem nexo. A verdade é que acabei por embarcar na pior viagem de avião da minha vida, foram cinco horas intermináveis de turbulência com aroma a canja de galinha que felizmente nunca chegou a ser servida. Quando, finalmente aterrámos, o inesperado aconteceu, iniciou-se uma animada chuva de berros entre a tripulação: “Aloha!”. Fiquei incrédula, depois de tão agitada viagem aquela gente estava a fazer do avião palco de mega festão. Resignada, aceitei o festejo e até entrei na onda, afinal estava no Hawaii e não havia melhor maneira de festejar o facto de estar viva senão entrar no espírito…
Depois de a respiração estar apta a conviver com elevados níveis de humidade no ar, apanhámos o shuttle para o hotel que, depois de variadas discussões, havia conseguido reunir níveis mínimos de consenso. Como quem muito escolhe pouco acerta ficámos num hotel ultrapassado recheado de coreanos com um intenso aroma a noodles. A viagem fez-se ao som de uma rádio local e apresentou-me um Hawaii muito distante do que eu imaginei. Da janela, tudo o que podia ver eram hotéis construídos sem critério. Japoneses, carregados de sacos da Prada, Chanel, Dior, caminhando apressadamente em busca da última solicitação consumista.
Num momento introspectivo admiti que aquilo poderia não ser bem o que eu estava à espera. Mas estava a ser tão injusta, caída num juízo impreciso feito à primeira vista. Na realidade, Oahu, era muito mais do que eu chegaria a imaginar…
Chegados ao hotel, esperava-nos o normal para quem viaja com os tostões contados. Despertei da primeira noite, a minha companhia como sempre estava adormecida no seu típico sono profundo. Não queria acreditar! Eram 6 da manhã! Estava a fazer o jet-lag de San Francisco! Fui aos tropeços até à janela, e ao contrário das grandes tempestades pós-terramoto previstas, tinha à minha espera um dia quente e ensolarado.
No Hawaii o tempo corre com um ritmo próprio… o dia começa às seis da manhã quando os primeiros raios de sol empurram os surfistas para a disputa da melhor onda e a partir daí o dia de praia só termina quando o pôr-do-sol acontece ao som de palmas emocionadas dos que chegam para o contemplar. É um espectáculo único a cada dia, sentido e captado como se de um cenário irrepetível se tratasse.
Quando, Waikiki beach serve de ponto de partida adquire-se uma visão turística da ilha distante da pura essência deste arquipélago. A verdadeira aventura começa quando nos aventurámos para fora do centro turístico. Para conhecer o Hawaii é preciso ir muito mais além. Alugámos o carro (discutimos por causa do modelo, Mustang descapotável ou Ford Focus, como se houvesse discussão possível!), pegámos nos mapas e com Waikiki nas nossas costas entrámos no verdadeiro Hawaii que os nativos tanto se esforçam para esconder. Serpenteamos por entre o verde mais intenso que os meus olhos já viram e a primeira paragem foi de cortar a respiração: à nossa frente, o imponente Diamonds Head, a cratera de um vulcão que possivelmente teria sido explosivo, extinto há 150000 anos. Passámos por Kahala onde se encontram espectaculares mansões com o mar a bater à porta. Seguimos para Sandy Beach, a praia mais perigosa de Oahu com direito a uma ambulância constantemente de plantão.
E agora sim, estávamos a viver o Hawaii! Seguimos para Waimanala beach, parámos em Kailua beach, eleita “American Best Beach”, para nos refrescármos. Com a minha habitual sorte, fui apanhada por um jelly fish que me fez uma incómoda queimadura na perna. Tratado o problema com água e vinagre e comigo a achar que iria morrer a qualquer momento, seguimos viagem. Percorremos praias paradisíacas como Ka’a’ana, Kaihalulu onde fica o espectacular Turtle Resort, Waiali’e beach. Sunset beach é a Meca do surf mundial, mas as ondas que vemos nos campeonatos só acontecem em Dezembro, no entanto todo o mar da costa de North Shore produz monstruosas ondas durante todo o ano e mesmo as menores são igualmente perigosas. Nesta zona encontra-se o Banzai Pipeline que é um dos mais famosos pontos de surf do mundo. Seguimos para Waimea Bay, local bastante movimentado por aficionados do surf e bodyboard com um ambiente completamente diferente de Waikiki, sem grandes hotéis e restaurantes, aqui a vida é levada em perfeita comunhão com a natureza. A viagem à volta da ilha termina em Haleiwa porque a zona oeste da ilha encontra-se interdita por razões inexplicáveis. Ao longo de toda esta costa está criada uma áurea de secretismo quase esotérico, envolta em perigos à mistura com a potencial existência da máfia hawaiana operando naquela zona. Fiquei curiosa mas o conselho era unânime: não ir!
O regresso é feito pelo interior da ilha onde o domínio do Mr. Dole é evidente. São impressionantes as enormes plantações de abacaxi que ocupam grande parte do território da ilha, propriedade do magnata.
O dia teve fim como todos os outros até ali, com um morno luau num palco de relva seguido de um Mai-Tai no Sheraton Muana SurfRider. Sim, porque, de vez em quando, também nos tratámos bem!

Com esta viagem sente-se a compreensível antipatia do povo hawaiano e a sua aversão à “turistada” que invade de maneira selvática o seu “private paradise”. Desde a chegada querem-nos condensados em Waikiki ou a visitar a ilha através de excursões organizadas.

Ao escrever este texto revivi momentos passados acabando por ser um agradável exercício de felicidade nostálgica mas, nunca tive a pretensão de diminuir o Hawaii a um texto ou a uma fotografia por melhor que fosse. Acredito que sítios mágicos não se escrevem ou captam, sentem-se…

4 comentários:

Mabides disse...

É realmente com sentimentos que se constroem as grandes viagens, e esta não foge à regra! Se havia sítio que inexplicavelmente sempre desejei visitar foi o Hawaii, e apesar do tempo ser escasso e o hotel também, valeu a pena pois a companhia foi a melhor! Contigo o Hawaii ficou ainda melhor!
Bjs
P.S. - No entanto falta visitar as restantes ilhas e hospedarmo-nos no Shearton ... sim aquele dos cocktails em cima da praia!!

MajoLuan disse...

Bem bem ke viagem!!!! Nunca lá fui mas não fiquei com boa impressão :d ******

VF disse...

Olá Francisca!
As cataratas de Iguaçu são mesmo impressionantes, tanto o lado Brasileiro como o lado Argentino.

O templo romano em Évora faz-nos viajar no tempo!

Obrigado, pela visita ao "Retratos de Viagens" e volta sempre!
PS: Parabéns também pelo teu blog, é muito interessante.

Mila disse...

Olá Francisca, gostei muito do teu blog. Vou passar a visitar-te e espero que continues a visitar-me...Posso linkar o teu blog?